quinta-feira, 6 de julho de 2017

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Apresentada em Capitão América: Guerra Civil, a nova versão do Homem-Aranha nos cinemas (a terceira depois daquelas de Tobey Maguire e Andrew Garfield) mostrou ser uma figura divertida e cheia de energia, estabelecendo-se como um elemento de destaque naquele ótimo longa lotado de super-heróis. Diversão, aliás, é a palavra-chave deste Homem-Aranha: De Volta ao Lar, novo filme-solo do personagem e que traz uma narrativa disposta a fazer jus ao que o herói apresentou naquela breve participação, conseguindo ser uma produção que entretém o espectador imensamente durante toda a projeção.

Com um roteiro que passou pelas mãos de três duplas de roteiristas, Homem-Aranha: De Volta ao Lar retoma a história do jovem Peter Parker (Tom Holland) alguns meses depois de ele ter se metido na briga que os Vingadores tiveram entre si, tentando lidar tanto com sua vida escolar e pessoal quanto com a vida de herói. Nisso, ele se esforça ao máximo para provar seu valor a Tony Stark (Robert Downey Jr.), que o mantém sob sua supervisão. É então que Peter se depara com a ameaça de Adrian Toomes (Michael Keaton), também conhecido como Abutre, que ao lado de sua gangue tem usado utensílios alienígenas da Batalha de Nova York (vista no primeiro Os Vingadores) para cometer crimes.


Assim é colocado nos trilhos um filme que desde o início busca explorar as melhores qualidades de seu protagonista, desde seu senso de humor até sua empolgação juvenil, detalhes que já se estabelecem logo no começo quando vemos um breve documentário que o próprio personagem realizou com seu celular, trazendo sua visão dos acontecimentos em Guerra Civil de maneira muito divertida. E enquanto esses elementos são bem utilizados para criar uma narrativa leve e que rende vários risos, o diretor Jon Watts não esquece de desenvolver a humanidade de Peter Parker, mostrando que ele é um adolescente que está passando por questões comuns do período (seja a vida escolar e seus compromissos ou até o interesse amoroso não correspondido), sendo difícil não notar também a atenção dada a própria humildade do rapaz, que ainda anda de ônibus, frequenta a lojinha da esquina e mora em um apartamento pequeno com sua tia May (Marisa Tomei), figura que ele se esforça para não preocupar. São detalhes pequenos, mas que ajudam o espectador a se aproximar do personagem, além de diferencia-lo bastante da maior parte dos outros heróis do universo do qual faz  parte.


No entanto, se por um lado Jon Watts acerta em cheio no tom da narrativa, na energia que a permeia e no próprio timing das piadas que vão surgindo ao longo do caminho, por outro ele não chega a conduzir cenas de ação particularmente empolgantes. É indubitavelmente divertido ver o Homem-Aranha em ação e Watts até se esforça para criar grandes momentos nesse aspecto (a sequência do elevador em Washington e a outra envolvendo uma barca são as principais), mas é um pouco decepcionante que o diretor aposte na cartilha da montagem picotada e dos rápidos movimentos de câmera, de forma que o resultado na tela acaba sendo confuso, principalmente quando as cenas são situadas à noite, já que a escuridão se torna mais um obstáculo para a compreensão do que está acontecendo. E se digo isso tendo assistido a cópia 2D do filme, imagino que a 3D piore tudo. Por sorte isso não chega a prejudicar gravemente a narrativa, que ainda consegue manter o espectador envolvido com a história e seus personagens durante a maior parte do tempo.


Falando nos personagens, vale dizer que o elenco talentoso faz um belo trabalho com eles. A começar por Tom Holland, que encarna Peter Parker com um carisma impressionante ao mesmo tempo em que mostra como o rapaz simplesmente adora ser o Homem-Aranha, encarando com gosto qualquer tipo de altruísmo que possa exercer, por mais que ainda tenha muito a aprender. O ator também tem uma ótima dinâmica tanto com o expressivo Jacob Batalon (que interpreta Ned, o melhor amigo de Peter) quanto com Jon Favreau (de volta ao papel de Happy Hogan dos longas do Homem de Ferro) e Robert Downey Jr. Este último, por sinal, nunca tenta roubar o filme para si com suas pontuais aparições (que em determinados momentos são verdadeiros deus ex machina). Aqui, Tony Stark assume um natural papel de mentor, mostrando-se genuinamente preocupado em fazer de Peter um super-herói melhor que ele. E se Marisa Tomei tem uma presença simpática e vivaz como a tia May, apesar de não ter muito espaço para desenvolvê-la (tomara que isso seja corrigido futuramente), Michael Keaton cria em Adrian Toomes um vilão que já se coloca entre os melhores desse universo da Marvel, se destacando não tanto pela ameaça que representa, mas sim por ter motivações plenamente compreensíveis e surpreendentemente dignas, revelando-se um indivíduo que se revolta por ver os poderosos sempre jogando os menos afortunados para baixo e que quer cuidar de sua família de qualquer jeito.

Este novo Homem-Aranha dos cinemas encanta o público com certa facilidade. Até por isso é bom vê-lo render um filme eficiente como este Homem-Aranha: De Volta ao Lar, que aproveita admiravelmente o potencial do personagem que tem em mãos e já nos deixa curiosos quanto a suas futuras aventuras.

Obs.: Há cenas durante e depois dos créditos finais.

Nota:

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